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Serendipidade

(inglês serendipity) substantivo feminino 1. A faculdade ou o acto de descobrir coisas agradáveis por acaso. 2. Coisa descoberta por acaso.

Serendipidade

(inglês serendipity) substantivo feminino 1. A faculdade ou o acto de descobrir coisas agradáveis por acaso. 2. Coisa descoberta por acaso.

4 anos e 3 meses de saudades

Hoje farias 102 anos.


Hoje iria almoçar contigo e ver-te-ia criticar o restaurante que tinhas escolhido. Levar-te-ia o teu bolo de chocolate.


Hoje dirias que estavas a ficar velha e com a cara cheia de rugas, como se isso fosse uma coisa inesperada para alguém com 102 anos.


Hoje sorririas ao ver a tua bisneta. Aquela que me perguntavas todas as semanas nos nossos almoços de Domingos quando iria nascer, só que na altura não tinha planos para ser mãe


Hoje faz 4 anos e 3 meses que não te vejo e tenho saudades...


 


Tenho saudades de te ouvir refilar quando me atrasava no meu telefonema diário ou quando não telefonava


Tenho saudades dos teus croquetes (continuam os melhores do Mundo) que junto com muitos rissóis me pagaram o primeiro carro. Tinhas tu 84 anos na altura. Que orgulho


Tenho saudades de em pequena te esperar à noite, aos sábados, quando voltavas do "serviço" como lhe chamavas com guloseimas, ou não eras tu a melhor cozinheira que conheci


Tenho saudades das nossas paragens nos croissants ou gelados na Costa da Caparica antes irmos para a praia


Tenho saudades das nossas manhãs na praia de Sines, apesar de na altura refilar que era muito cedo e que a água era gelada


Tenho saudades de jogar às pedrinhas contigo na praia


Tenho saudades dos mimos que apenas tu sabias dar


Tenho saudades da minha cúmplice nas prendas para os meus pais (lembras-te das 50 rosas para o 50º aniversário da minha mãe - como as compramos na ribeira e tu regateaste todos os preços)


Tenho saudades da minha cúmplice nos segredos que não queria contar a mais ninguém


 Tenho MUITAS saudades tuas....


 


Obrigada por teres sido a minha avó


Obrigada por me teres ensinado a ser forte, dando sempre o exemplo


Obrigada por teres estado sempre ao meu lado


Obrigada por me teres defendido sempre


 


Obrigada...

Super Mãe, Super Mulher, Super.... !

 


DME-19.jpg


 


 


 


Há uns dias li o texto abaixo no blog "A mãe é que sabe" e identifiquei-me totalmente com ele. Quero fazer tudo e ser boa no que faço, no entanto quando chego ao final do dia sinto que o tempo escapou-me entre os dedos. Não fiz metade do que queria e o que fiz, sinto que não fiz como deve ser ser ou pelo menos com o tempo ou dedicação que gostava de ter feito. 


As dores de cabeça ao final do dia, acentuadas de manhã por noites mal dormidas. O Inverno com constantes constipações e febres divididas entre as duas. O trabalho que parece que aumenta sempre e nunca dá descanso e a Ema a chegar a uma idade em que exige a nossa atenção a cada segundo, fazem-me sentir por vezes que estou a dar em doida.


Adoro a minha filha com as suas pilhas duracel que nunca acabam. Adoro a sua fase de mãezita aguda que deixa o pai (disfarçadamente) mal humorado - ai os ciúmes! Mas reconheço que estou a ter dificuldade em gerir tudo e por vezes sinto que seria capaz de dar um dedo por umas horas sozinha! O problema disto tudo, vingo-me no chocolate!


 



Quero ser uma super-mulher... mas não consigo.



Quero ser a melhor mãe, a mãe que estimula, que brinca e, mais importante que tudo, que dá carinho. A mãe presente, brincalhona, o peito onde ela põe a cabeça de manhã quando vem para a nossa cama e o cheiro que ela quer antes de dormir. A mãe com tempo. Não quero que ela veja na minha cara o monitor do computador reflectido. Não quero que ela ache que o meu telemóvel é o melhor dos brinquedos por me ver sempre agarrada a ele. Não quero adormecê-la à pressa, com o coração já descompassado e com o maxilar cerrado, porque tenho outras coisas para fazer. 

 

Quero continuar a sentir-me bonita. Não gosto de me ver ao espelho com a raiz meia oleosa, com unhas cheias de peles e já algum buço e achar que não faz mal porque agora sou mãe e porque ninguém vai reparar. Lá porque somos mães, não temos sempre, sempre, desculpa para o desmazelo. Mas... como encaixar isto com tudo o resto? Hora de almoço, dá tempo? Não vale a pena sugerirem para fazê-lo em casa porque com um verniz na mão pareço ter Parkinson.

 

Gostava de ser uma mulher atenta e interessante, que faz jantares, que leva o pequeno-almoço à cama de vez em quando, em vez de acordar com sono a rogar pragas ao mundo, que consegue conversar sobre cinema e ver séries, mas ultimamente a minha cabeça está em tudo menos ali. 

 

Quero, num fim-de-semana, ir a 4 lojas diferentes, comprar madeiras, placas de mdf, pregos, parafusos, tecido, dracalon, adereços, molas, balões, cadeira, ir buscar um cesto de verga emprestado, ir às compras, fazer um bolo para a sessão de fotos, fazer uma bandeirola de papel de seda, fazer sopa da Isabel para a semana, fazer uma cabeceira para a mesa do aniversário, ir à sessão de fotos com a Isabel, passar numa festinha à tarde, ir comprar água, ah! e fraldas para o infantário, responder a e-mails, escrever, ver os "meus" programas da SIC porque quero ver sempre o resultado final, fora tudo o resto... e conseguir manter a sanidade mental.

Não estou a conseguir. Sinto-me cansada e o raio das dores de garganta e da voz de cana rachada que não passam e que me dão péssimas noites. E a Isabel anda ranhosa e também ela a dormir mal.


Tenho de aprender algo com isto. Transformar-me numa super-mulher não está a ser fácil, por isso talvez tenha de começar a prescindir de algo. A ser menos picuinhas com a festa de anos, a não querer ser a mãezinha que pensa em tudo. A fazer uma lista de prioridades do dia que não tenha mais de 10 itens por dia (mais vale menos e fazê-los bem e com tempo). Não achar que consigo estar em dois sítios ao mesmo tempo. A impôr regras em casa: só toco no telemóvel depois dela ir dormir. A fazer compras on-line e deixar-me de merdas esquesitices de querer escolher os produtos e não sei quê. A deitar-me mais cedo. Só assim conseguirei ser a mãe, a mulher, a profissional que quero ser: equilibrada. Não tenho de ser perfeita, não tenho de conseguir fazer tudo.


Há por aí super-mulheres ou já aprenderam a abrandar o ritmo?




 

 

Imagem retirada daqui