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Serendipidade

(inglês serendipity) substantivo feminino 1. A faculdade ou o acto de descobrir coisas agradáveis por acaso. 2. Coisa descoberta por acaso.

Serendipidade

(inglês serendipity) substantivo feminino 1. A faculdade ou o acto de descobrir coisas agradáveis por acaso. 2. Coisa descoberta por acaso.

Faço minhas as suas palavras #2

Quando li este post no blog da Pipoca, percebi que mesmo que quisesse não seria capaz de descrever melhor, por isso faço minhas as suas palavras J

 

 

 

tampa.jpg

 

 

Ir a casa da minha mãe implica, quase sempre, trazer comida. "Queres levar este bacalhau no forno? Quero! Queres levar este resto de caldo verde? Quero! Queres levar umas bananas que comprei no mercado? Quero!". Não me faço rogada, todos os restos são mais do que bem-vindos, nunca se recusa comidinha da mamã (bem, agora tenho recusado algumas coisas mais calóricas). E então lá venho eu para casa, carregada de tupperwares que me enchem o frigorífico e me aquecem a alma. Não sei se vos acontece o mesmo, mas para a minha mãe os tupperwares são material sagrado, quase que abençoado pelo Santo Papa. Quando ligo à minha mãe, as duas perguntas obrigatórias são "como é que está o menino?" e "olha lá, quando é que me trazes os tupperwares?". Depois, com sorte, é capaz de perguntar se está tudo bem comigo. Primeiro o neto, depois os tupperwares (não necessariamente por esta ordem).  Li algures que as mães até se podem esquecer do dinheiro que nos emprestam, mas nunca, NUNCA se esquecem dos seus tupperwares. A minha mãe não vive sem o seu património de plástico, acho até que começa a ficar nervosa quando eu demoro mais a devolvê-los. É nessa altura que parte para a ameaça, sem dó nem piedade.
Do género, "não te mando mais comida enquanto não me trouxeres os tupperwares que tens aí em casa". Hoje levei o apelo a sério, até porque já tinha mesmo muitos acumulados. Para terem uma ideia, enchi um daqueles sacos azuis da IKEA (sim, aqueles XXL). Não é por mal nem para infernizar a vida à minha mãe, é só mesmo porque me vai passando de ideia. Não tenho nenhum amor especial pelos tupperwares. Nem pelos dela nem por nenhuns. São feios (e vão ficando cada vez mais), ocupam espaço, não ficam bem em lado nenhum, têm todos os tamanhos e feitios, o que dificulta a arrumação, e há sempre, sempre, sempre uma puta de uma tampa que se some para todo o sempre... Enfim, não se pode dizer que os tupperwares sejam assim o supra sumo da loucura, um objecto altamente invejável, por isso não percebo a obsessão maternal. Eu desconfio, seriamente, que a minha mãe acredita que eu estou envolvida em alguma missão que implica dar-lhe sumiço aos tupperwares, e então vá de estar sempre a controlar minuciosamente o paradeiro das suas caixas (acho que já faltou mais para lhes inserir um microchip). Não se metam entre uma mãe os seus tupperwares, vão sair a perder, e se ela tiver que escolher um lado não pensem que fica do vosso. É que isto é gente que não se ensaia nada em cortar relações caso os tupperwares não voltem sãos e salvos ao lar que os viu nascer. Mas não pensem que é só enfiar tudo num saco, ao molho, como eu faço. Porque, se assim for, não se livrarão de ouvir comentários como:
- Isto não podia vir mais bem arrumado?
- Onde é que está aquele da tampa vermelha? (o tupperware que não devolvemos é sempre o preferido das nossas mães)
- E AS TAMPAS??? ONDE É QUE ESTÃO AS TAMPAS?
- Este tupperware não é meu, leva isto daqui! (uiiii, as mães odeiam saber que usamos outros tupperwares que não os delas. Então se desconfiarem que os ditos podem vir de casa da sogra, temos o caldo entornado)
- Então e o saco???? (se, por acaso, levamos todos os tupperwares certinhos, com as tampas e tudo e tudo, a atenção centra-se imediatamente no saco onde os ditos foram transportados).
Moral da história, não brinquem com coisas sérias. As mães professam o "tupperwarismo" e, como qualquer religião, não vale a pena questionar. Isto se não querem sofrer represálias, tipo cortes na alimentação. É devolver e calar.

 

Retirado do blog: A Pipoca Mais Doce"

Fortaleza, Telégrafo, Farol ou Prisão?

Adoro Lisboa. Existem apenas mais duas cidades onde não me importaria de viver, ambas em Espanha, Barcelona e Donostia. Talvez por isso, sejam cidades que tento visitar com alguma frequência. De semelhança com Lisboa, sá o facto de terem mar perto (no caso de Lisboa, o rio), a uma distância à qual nos podemos deslocar a pé.

 
Desta forma, Belém é sem dúvida a minha zona de Lisboa favorita. Talvez por isso irão abundar aqui fotografias sobre esta zona. Mas, mais do que o facto de ser perto da água, Belém é das minhas zonas favoritas porque era para aqui que os meus avós, que moravam ao cima da Rua dos Jerónimos, me traziam tantas vezes para brincar quando era criança e por isso encontra-se tão cheia das memórias que quero sempre recordar.
 
Assim que saí do carro deparei-me logo com uma réplica exacta do avião usado por Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1922, para realizar a primeira travessia aérea do Atlântico Sul. 
 
 
 
 
Continuando em direcção à Torre de Belém e porque ainda faltavam 30 minutos para a sua abertura, resolvi contorna-la e fotografa-la de vários ângulos, apreciando os seus detalhes exteriores. 
 
 
A Torre foi criada em 1514 sobre o reinado de D. Menuel I, com o intuito de proteger a cidade. Com o passar do tempo, e com a construção de novas fortalezas,  a Torre de Belém foi perdendo a sua função de defesa e passando a desempenhar funções de controle aduaneiro, de telégrafo, de farol e prisão política durante a ocupação filipina. Actualmente é considerada património da humanidade pela Unesco. 

 
 
 

 
De seguida dirigi-me ao monumento em homenagem aos combatentes da guerra do Ultramar que ocorreu entre 1961 e 1974. Na parede me redor do monumento encontram-se gravados em jeito de homenagem os nomes de todos aqueles que perderam a vida durante esta guerra. Estando lá, sentimo-nos insignificantes perante a imponência desta parede com milhares de nomes escritos e por momentos dei por mim a agradecer pelo nome do meu pai não estar lá escrito.
 
 
 
 

 
De volta à torre, resolvi entrar para ver os detalhes do estilo manuelino com a qual foi construída. Neste momento já o tempo era pouco, pelo que corri pelas escadas acima, não só para o aproveitar ao máximo, mas também para fugir às dezenas de turistas que entravam pela porta.
 
 

 
 
Ao regressar ao carro, dei por mim a lembrar-me dos dois momentos passados aqui e que mais me marcaram.
 
A benção das fitas que no meu ano, ao contrário do que é habitual, aconteceu nesta ao zona e não na Alameda Universitária. A organização foi um caos, mas para mim, foi especial. 
 
O outro momento foi a primeira vez que vim à Torre de Belém e entrei. Tinha cerca de dez anos a acabado de descobrir que se podia subir ao cimo da Torre. Chateei o meu avô durante semanas até que ele lá cedeu e me trouxe. Saímos num Domingo de manhã, com o aviso da minha avó de não nos atrasarmos para o almoço, e seguimos a pé desde os Jerónimos até à Torre (o meu avô não era muito amigo de gastar dinheiro e por isso o autocarro/elétrico estavam fora de questão). Quando chegámos lá entrámos, explorámos a Torre até que ao darmos pelas horas já estava na hora do almoço e os meus pais e a minha avó esperavam-nos em casa. Lá fomos nós a correr para casa (de novo a pé), eu com cerca de dez anos e ele com mais de setenta e o caminho de volta parecia não ter fim. Obviamente chegámos atrasadíssimos e ouvimos uma reprimenda de todos. Mas não fez mal, foi a nossa aventura e relembrámo-la muitas vezes entre sorrisos.
 
Fiquei com pena de ir embora, pois o sol convidava a ficar numa esplanada a ler e relembrar mais memórias, mas estava na hora de ir trabalhar e como se costuma dizer: "O que tem de ser tem muita força!".
 
 
 
 
Publicado no meu ex-blog: "Olhar à minha volta" a 06/04/2011