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Serendipidade

(inglês serendipity) substantivo feminino 1. A faculdade ou o acto de descobrir coisas agradáveis por acaso. 2. Coisa descoberta por acaso.

Serendipidade

(inglês serendipity) substantivo feminino 1. A faculdade ou o acto de descobrir coisas agradáveis por acaso. 2. Coisa descoberta por acaso.

Textos #1

Este é um dos textos que li pela blogosfera e que mais gostei. Aliás, neste blog: eu, ele, a maria e o miguel, são poucos os textos que me passam ao lado e que não me comovem. Este é de todos o meu preferido, pela simplicidade da escrita, pela lição aprendida e sempre, pela doçura da Maria e da sua mãe Vera. 

 

"nós temos tudo.

nós não temos muito dinheiro: não vamos a restaurantes, compramos marca branca, roupa na primark. não temos iphones, nem plasmas, nem bimby. nunca comemos bifes do lombo. temos um carro que às vezes não pega. nas férias vamos às praias da caparica. vendemos o que já não precisamos para ganhar algum. tentámos emigrar para não estarmos sempre a contar tostões. nunca conseguimos poupar: nunca sobra nada. houve meses piores: em que um pacote de fraldas fazia diferença nas contas. em que adiávamos as contas da luz para o mês seguinte. mas as coisas vão correndo bem, vão andando: e às vezes compramos frango assado para o jantar. um brinquedo novo para eles. entradas no oceanário. caracóis e gelados na esplanada. o nosso frigorífico tem sempre comida. eu faço um bolo todas as semanas. vivemos bem: não sinto falta de nada.
em abril ele foi despedido.
chegou a casa: abraçou-me. pediu desculpa. disse-me: fui despedido.
disse-lhe que ia correr tudo bem, que iamos arranjar trabalho: ele, eu. eu ia servir às mesas outra vez. a maria e o miguel dormiam a sesta na nossa cama. conseguiamos vê-los: um sono já leve. vi na cara dele o medo de não ter o que lhes dar: um brinquedo novo. gelados na esplanada. uma bolacha. um medicamento. uma sopa. encostado à parede ele chorou enquanto eu lhe limpava as lágrimas. 
ele começou a trabalhar este mês.
foram semanas difíceis: ele a adaptar-se a estar sempre em casa connosco. eu e eles a adaptarmo-nos a estar sempre em casa com ele. às vezes mais nervosos porque os dias passavam. às vezes mais deprimidos porque os dias passavam. às vezes com medo porque os dias não paravam de passar. é mais difícil do que se pensa: lidar com isto foi difícil.
mas passou: ele começou a trabalhar. correu tudo bem. tivemos sorte.
eles não sentiram falta de nada.
estava a pensar em todas estas coisas quando vi um apelo: uma família em dificuldades. o pai desempregado, a mãe, um filho, uma menina como a maria. pediam alimentos. pensei que podiamos ajudar. não acredito em deus: naquele momento apeteceu-me agradecer-lhe este novo trabalho. expliquei à maria o que íamos fazer: iamos comprar comida para uma menina como ela. e ela ajudou-me a colocar as coisas no cesto enquanto dizia: massa para a menina. arroz para a menina. leite para a menina. cereais para a menina. disse-lhe que se ela quisesse também podia dar um brinquedo dela à menina. quando chegámos a casa ela correu para o quarto para o escolher.
sozinha na cozinha passei os alimentos para um saco grande: a massa, o leite, o feijão, o arroz.  lembrei-me que não tinha arroz agulha na minha despensa: tinha carolino, arroz de risotto, basmati, integral. não tinha agulha. guardei um dos 4 pacotes na minha despensa.
a maria apareceu à minha frente com a carolina na mão: queria dá-la à menina. perguntei-lhe se tinha a certeza. se não ia sentir falta dela: era a única boneca que ela tinha com cabelo. ela pediu durante meses um bebé com cabelo. ela disse que tinha a certeza: queria dá-la à menina: meteu-a no saco.
fui espreitar o miguel: dormia aconchegado, enrolado nos meus lençóis que cheiravam a amaciador. estava a ficar melhor da gastroenterite: dei-lhe tudo o que ele precisava nesses dias: medicamentos para as cólicas, peito de frango cozido, papa de arroz, bananas e puré de maçã, torradas com compota. não lhe faltou nada. beijei-o na testa: deixei-o dormir.
fiz uma chávena de café, cortei uma fatia do bolo que fiz naquela semana e sentei-me no sofá de 4 lugares a ver um dos 74 canais que nunca vejo. quando olhei para o lado vi a maria: estava a brincar com a carolina. perguntei-lhe se já não a queria dar. ela respondeu-me que sim, que a queria dar. estava a brincar com ela porque "às vezes vou ter saudades dela e ela vai ter saudades minhas". eu não respondi: sorri: olhei para a televisão. 
à minha frente sempre: a maria. para lá e para cá. parou: com as mãos nos meus joelhos disse-me "sabes mãe, a carolina é a única que tem cabelo, mas este bebé tem dentes, este tem chapéu, este tem uma banheira e este fala.": atrás dela alinhados no chão: 4 bonecos. ela tinha um sorriso no rosto enquanto apontava para eles. "vês?"-perguntou. vi. vi: carolino, risotto, basmati, integral. 
levantei-me envergonhada. eu não sou uma pessoa egoísta, a sério que não. mas senti-me a maior, a pior das egoístas: senti-me mal. mais pequenina do que ela, que com 3 anos já é tão grande. disse-lhe que sim, que via. disse-lhe que ela tinha razão. chamei-me nomes enquanto tirei o arroz agulha da minha despensa e o coloquei no saco: a carolina já lá estava outra vez. 
às vezes digo que os meus filhos me mudam todos os dias, me ensinam coisas: grandes lições. 
uma vez uma amiga que ainda não é mãe perguntou-me: a sério? tipo o quê?
tipo isto, "vês?"."

Textos #1

Este é um dos textos que li pela blogosfera e que mais gostei. Aliás, neste blog: eu, ele, a maria e o miguel, são poucos os textos que me passam ao lado e que não me comovem. Este é de todos o meu preferido, pela simplicidade da escrita, pela lição aprendida e sempre, pela doçura da Maria e da sua mãe Vera. 


 



"nós temos tudo.






nós não temos muito dinheiro: não vamos a restaurantes, compramos marca branca, roupa na primark. não temos iphones, nem plasmas, nem bimby. nunca comemos bifes do lombo. temos um carro que às vezes não pega. nas férias vamos às praias da caparica. vendemos o que já não precisamos para ganhar algum. tentámos emigrar para não estarmos sempre a contar tostões. nunca conseguimos poupar: nunca sobra nada. houve meses piores: em que um pacote de fraldas fazia diferença nas contas. em que adiávamos as contas da luz para o mês seguinte. mas as coisas vão correndo bem, vão andando: e às vezes compramos frango assado para o jantar. um brinquedo novo para eles. entradas no oceanário. caracóis e gelados na esplanada. o nosso frigorífico tem sempre comida. eu faço um bolo todas as semanas. vivemos bem: não sinto falta de nada.

em abril ele foi despedido.

chegou a casa: abraçou-me. pediu desculpa. disse-me: fui despedido.
disse-lhe que ia correr tudo bem, que iamos arranjar trabalho: ele, eu. eu ia servir às mesas outra vez. a maria e o miguel dormiam a sesta na nossa cama. conseguiamos vê-los: um sono já leve. vi na cara dele o medo de não ter o que lhes dar: um brinquedo novo. gelados na esplanada. uma bolacha. um medicamento. uma sopa. encostado à parede ele chorou enquanto eu lhe limpava as lágrimas. 


ele começou a trabalhar este mês.

foram semanas difíceis: ele a adaptar-se a estar sempre em casa connosco. eu e eles a adaptarmo-nos a estar sempre em casa com ele. às vezes mais nervosos porque os dias passavam. às vezes mais deprimidos porque os dias passavam. às vezes com medo porque os dias não paravam de passar. é mais difícil do que se pensa: lidar com isto foi difícil.
mas passou: ele começou a trabalhar. correu tudo bem. tivemos sorte.
eles não sentiram falta de nada.


estava a pensar em todas estas coisas quando vi um apelo: uma família em dificuldades. o pai desempregado, a mãe, um filho, uma menina como a maria. pediam alimentos. pensei que podiamos ajudar. não acredito em deus: naquele momento apeteceu-me agradecer-lhe este novo trabalho. expliquei à maria o que íamos fazer: iamos comprar comida para uma menina como ela. e ela ajudou-me a colocar as coisas no cesto enquanto dizia: massa para a menina. arroz para a menina. leite para a menina. cereais para a menina. disse-lhe que se ela quisesse também podia dar um brinquedo dela à menina. quando chegámos a casa ela correu para o quarto para o escolher.
sozinha na cozinha passei os alimentos para um saco grande: a massa, o leite, o feijão, o arroz.  lembrei-me que não tinha arroz agulha na minha despensa: tinha carolino, arroz de risotto, basmati, integral. não tinha agulha. guardei um dos 4 pacotes na minha despensa.
a maria apareceu à minha frente com a carolina na mão: queria dá-la à menina. perguntei-lhe se tinha a certeza. se não ia sentir falta dela: era a única boneca que ela tinha com cabelo. ela pediu durante meses um bebé com cabelo. ela disse que tinha a certeza: queria dá-la à menina: meteu-a no saco.

fui espreitar o miguel: dormia aconchegado, enrolado nos meus lençóis que cheiravam a amaciador. estava a ficar melhor da gastroenterite: dei-lhe tudo o que ele precisava nesses dias: medicamentos para as cólicas, peito de frango cozido, papa de arroz, bananas e puré de maçã, torradas com compota. não lhe faltou nada. beijei-o na testa: deixei-o dormir.


fiz uma chávena de café, cortei uma fatia do bolo que fiz naquela semana e sentei-me no sofá de 4 lugares a ver um dos 74 canais que nunca vejo. quando olhei para o lado vi a maria: estava a brincar com a carolina. perguntei-lhe se já não a queria dar. ela respondeu-me que sim, que a queria dar. estava a brincar com ela porque "às vezes vou ter saudades dela e ela vai ter saudades minhas". eu não respondi: sorri: olhei para a televisão. 
à minha frente sempre: a maria. para lá e para cá. parou: com as mãos nos meus joelhos disse-me "sabes mãe, a carolina é a única que tem cabelo, mas este bebé tem dentes, este tem chapéu, este tem uma banheira e este fala.": atrás dela alinhados no chão: 4 bonecos. ela tinha um sorriso no rosto enquanto apontava para eles. "vês?"-perguntou. vi. vi: carolino, risotto, basmati, integral. 
levantei-me envergonhada. eu não sou uma pessoa egoísta, a sério que não. mas senti-me a maior, a pior das egoístas: senti-me mal. mais pequenina do que ela, que com 3 anos já é tão grande. disse-lhe que sim, que via. disse-lhe que ela tinha razão. chamei-me nomes enquanto tirei o arroz agulha da minha despensa e o coloquei no saco: a carolina já lá estava outra vez. 
às vezes digo que os meus filhos me mudam todos os dias, me ensinam coisas: grandes lições. 
uma vez uma amiga que ainda não é mãe perguntou-me: a sério? tipo o quê?
tipo isto, "vês?"."


Organizações e uma boa ideia

Uma boa perspectiva nas arrumações e uma óptima ideia para quem vai passar as férias cá dentro :) A experimentar no próximo ano!

 

"Fazer as malas para as férias de Verão são as minhas limpezas de Primavera.

Nunca em minha casa se fizeram “limpezas de Primavera”, mas guardo essa ideia dos livros que lia em menina, a imagem das janelas abertas e as cortinas a esvoaçar, as mobílias viradas do avesso, vassouras e esfregonas cheias de água no chão. Em minha casa faziam-se grandes arrumações quando mudavam as estações: as roupas eram tiradas dos armários, escolhia-se o que já não servia, arrumava-se o roupeiro e , perante as necessidades, íamos às compras. Limpezas fazíamos todos as terças e sábados, que o meu pai era um homem de rotinas muito bem definidas e a aspirava sempre aos mesmos dias e às mesmas horas.

As estações do ano já não são o que eram, nem tenho dois roupeiros. Guardamos tudo no mesmo, e único, armário. Cá em casa, a passagem de ano é em Setembro, e as grandes arrumações e limpezas acontecem quando fazemos as malas para as férias de Verão.

Nessa altura sai tudo dos armários: a comida, a roupa, os brinquedos, os livros, os medicamentos e os cremes.  Aproveitamos que vamos passar duas semanas fora, esvaziamos o frigorífico e o congelador, levamos o que sobra e pomos menos um electrodoméstico a contribuir para a conta da eletricidade. Na casa de banho revêem-se os prazos de validade, e reunimos todas as embalagens quase no final. O objectivo serve para todas as divisões da casa: o que vai para férias não volta. A roupa que vai para as férias é toda aquela que está no seu limite de vida: quase não serve, quase não está capaz de usar, quase não uso (no meio destas escolhas, separam-se algumas peças que estão impecáveis para vender em segunda mão).

Visto numa perspectiva de poupança, na viagem de regresso, com o carro consideravelmente mais leve, gastamos muito menos gasolina. Poupamos em detergente, água e energia, a lavar a roupa das férias. E evitamos a neura das arrumações na ressaca do descanso. Fica apenas a parte divertida: ir comprar aquilo que faz falta, para o novo ano que vai começar."

 

Retirado dos Dias de Uma Princesa

BOM DIA ALEGRIA

Noite de sono completa. Nem ouvi um piu da E. Um milgre nos últimos dias. Até deu para acordar sem dores de cabeça :)

Batido "detox" ou pelo menos uma tentativa e uma fatia de bolo "light" (sem açúcar e gordura, com courgette, cenoura e aveia)

 

Aula de Powerplate e agora o início do dia de trabalho. 

 

Um Bom dia para todos!